06 de abril de 2017 - Fonte: G1 - Fotógrafo: Ilustrativa

Há uma queixa dos dois gêneros - feminino e masculino - que quando o assunto é relacionamento ninguém quer nada sério. É só pegação.

Neste cenário, a ordem atual parece ser a ideia de aproveitar o máximo o momento presente, tornando as relações diversificadas, breves e instáveis. A relação é contingencial, baseada num acordo mútuo e que deve durar enquanto houver co-satisfação entre o “casal”.

Aqui, fidelidade, compromisso ou projetos futuros são palavras que não fazem parte do vocabulário a dois. É a experiência pela experiência.

No entanto, apesar do caráter descompromissado deste cenário, o desejo de que este relacionamento temporário torne-se um namoro pode brotar em um dos parceiros, porém muitos não verbalizam por receio de que o outro queira terminar.

Como lidar com esta forma de relacionamento? A resposta não é tão simples, uma vez que envolve emoções.

Toda relação amorosa é formada por um lado pelos nossos desejos, pelas nossas fantasias. E por outro lado, pelas nossas dificuldades emocionais, por nossos sentimentos de perda, de desemparo.  Isso significa que uma relação amorosa vem com a marca da nossa história e é desta forma que vamos tentar realizar um encontro, procurando o ideal de amor: alguém que nos complete, que nos proteja, que nos seja fiel.

O que leva um casal a não estabelecer um vínculo duradouro, pode ser por questões objetivas ou subjetivas. No entanto quando decidem estar juntos, o fazem em função do prazer. Prazer aqui no sentido amplo da palavra.

O amor de hoje, conhecido como ficar, é uma forma de relacionamento onde os parceiros não criam expectativa de que o outro lhe complete. Cada um reconhece em si os seus desamparos, porém reconhece no outro isso também e ponto final.  Não há cobranças.

No entanto, o que parece ser a solução não é, já que é isso que paralisa uma relação, pois não havendo troca, não há entrega. Sem isto, o encontro que levaria ao crescimento de ambos, torna-se impossível. Neste ficar não há um pedido para que o outro permaneça. Os dois perdem.

G1