27 de agosto de 2021 - Fonte: G1 - Fotógrafo: G1

Em alguns momentos da vida nos comparamos com o outro em vários pontos e este comportamento pode ser uma atitude saudável quando nos impulsiona a rever alguns aspectos em nós que precisam ser desenvolvidos. A questão toda é o limite que se deve colocar no ato de comparar, pois quando é constante, e sempre sob uma ótica negativa, tem a ver com baixa autoestima.

A autoestima é a noção de valor que uma pessoa tem de si e envolve as percepções e crenças que ela adquiriu ao longo da vida, incluindo a aceitação da própria imagem corporal. Sua origem é na infância, nas relações estabelecidas com os pais, nas valorizações que eles deram às conquistas e comportamentos da criança, e que fez com que ela se sentisse amada. Uma criança que sempre foi criticada ou pouco reconhecida por algo de bom que ela tenha feito, torna-se insegura e, por desacreditar em suas ações, passa sempre a se comparar com o outro como forma de certificar se suas condutas estão corretas.

Claro que é um comportamento tóxico, uma vez que, por causa da sua insegurança, da dificuldade de reconhecer suas potencialidades e nomear suas emoções, considera que nunca agradará o suficiente e que terá sempre que fazer algo especial, algo a mais, para que o outro a ame. Assim, tornam-se indivíduos ansiosos, dependentes do reconhecimento do outro e com dificuldades para resolver conflitos psicossociais.

Atualmente, a utilização das redes sociais potencializa a insegurança de muitas pessoas que, ao comparar a própria vida com determinadas postagens, consideram que são inferiores e, consequentemente, infelizes. Aqui, não há uma avaliação consciente de que as fotos são editadas para que tudo pareça perfeito. Ninguém é feliz o tempo inteiro. Até porque ter períodos de tristeza, ansiedade, insegurança, etc., é comum a todo ser humano. Só que uma pessoa com baixa autoestima, mesmo sabendo disso, considera que só ela, ou a vida dela, tem algo de errado, o que desencadeia quadros de ansiedade, até depressivos, dificultando a elaboração de suas angustias, tornando um ciclo vicioso.

A comparação é um terreno perigoso, pois muitas pessoas não reconhecem os avanços e as conquistas em si. O que elas identificarão nestas situações é aquilo que lhes faltam, mas não para buscarem melhorar ou superar e sim pra se culparem.

É preciso conscientizar que não existem padrões. Cada ser humano é único e são as diferenças entre as pessoas que enriquece as relações, pois possibilitam trocas e o crescimento do ser humano. Por isso, é fundamental o autoconhecimento como meio de resgate da individualidade. Reconhecer e aceitar os próprios limites, além dos pontos fortes, leva a escolhas mais adequadas para si e, consequentemente, ao equilíbrio emocional.

Créditos: Joselene Alvim- psicóloga - G1