06 de abril de 2017 - Fonte: G1 - Fotógrafo: Ilustrativa

Malcriada e sem limite!  A culpa é dos pais que não dão educação!  

Diante de uma criança que não para quieta, que mexe em tudo, é mais fácil apelar para os rótulos. É certo que nas últimas décadas tem imperado a falta de limites na educação dos filhos, mas nem todo comportamento infantil se resume a isso.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) que apesar de ser associado mais à hiperatividade, é um distúrbio que se caracteriza  também por duas outras formas: desatenção ou ainda o tipo combinado. As principais características são: dificuldade de atenção e concentração (o que resulta em problemas de aprendizado), distúrbio de comportamento, impulsividade e a hiperatividade.

Esta energia inesgotável é atribuída por algumas pessoas como “natural da idade” ou à falta de limites dos pais, o que dificulta o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento adequado. Desde cedo se mostram mais agitadas que as demais crianças, irritadiças e perdem o interesse rapidamente pelas atividades. Na escola tem dificuldade em permanecer na carteira e terminar as tarefas é um martírio. Parecem estar sempre ligados na tomada.

A falta de compreensão do meio em que vivem desencadeia alguns rótulos, tais como: “irresponsáveis”, “preguiçosos”, “indisciplinados”, “desorganizados” e assim são levados a crer que nunca conseguirão desenvolver seu potencial. Tudo isso gera uma percepção negativa de si mesmo e que afeta consideravelmente sua autoestima desencadeando, em alguns casos, o isolamento social.

Geralmente o diagnóstico do Transtorno da Hiperatividade só acontecerá quando a criança entrar na escola, uma vez que fica evidente a dificuldade de atenção, de organização das tarefas e de relacionamento com os colegas. Os pais sofrem muito com o comportamento inquieto destes filhos apresentando alto nível de estresse, comprometendo as relações sociais e o ambiente familiar. Lidar com a situação é um constante desafio uma vez que a paciência nem sempre pode estar presente.

Até a década de 70 acreditava-se que o TDAH era um problema restrito a infância e que desaparecia na adolescência ou idade adulta. Hoje se sabe que o transtorno acompanha 70% das crianças na vida adulta. Felizmente o mercado de trabalho, por ser amplo, possibilita para aquele com TDAH encontrar uma atividade que lhe ofereça motivação para que ele desenvolva suas habilidades.

É importante fazer um diagnóstico preciso do TDAH através de uma avaliação neuropsicológica e multidisciplinar para que não haja confusão com sintomas similares comuns a maioria das crianças como correrias, desinteresse na sala de aula decorrente de algum problema emocional etc.

O tratamento adequado é a combinação de medicamentos, alternativas pedagógicas que resgatem seu interesse pelo estudo e intervenções psicológicas. A psicoterapia é importante para ajuda-lo a entender como funciona este Transtorno, melhorar sua autoestima que se encontra prejudicada e, assim, tirar o melhor proveito de si.

Além do tratamento, o mais importante é a conscientização e compreensão das pessoas que convivem com este jeito “acelerado ou avoado de ser”, uma vez que, ao contrário do que pensam, eles não assim porque querem.

G1