06 de abril de 2017 - Fonte: G1 - Fotógrafo: Ilustrativa

No início, era só uma inocente ideia de guardar um potinho, a caixa daquele presente que ganhou ou ainda aquela revista, jornal etc.

O pensamento é: “Vai que posso precisar pra alguma coisa um dia?”. Passa um tempo e as gavetas, guarda roupas,  os cômodos da casa e até o quintal já estão tomados por estas “utilidades” amontoadas em pilhas.

Não importa se aquele item é descartável ou não. Tudo poderá ter uma necessidade futura.


Este é um retrato do comportamento de quem é um típico acumulador.

Esta compulsão por guardar tudo é um distúrbio mental que causa prejuízos não só para o portador como para a família, gerando conflitos pela falta de espaço na casa e, principalmente, pelo desconforto de conviver com tanta coisa acumulada, uma vez que não só limita o espaço das outras pessoas como também da higiene local, já que torna impossível a limpeza em meio a tanta bagunça. Há, inclusive, situações extremas onde o acúmulo de embalagens, algumas com restos de comida, tornam o ambiente insalubre, atraindo baratas e ratos, levando a doenças graves.

No entanto, ao contrário do que pensam, para um acumulador desfazer de tantos utensílios e objetos é muito difícil, já que boa parte deles tem valor afetivo.

Mesmo que aos olhos de outras pessoas estes itens guardados são apenas cacarecos ou lixos, para os acumuladores tem um valor psicológico. Por isso, a maioria deles não vê a acumulação como um problema, acentuando mais ainda a desorganização e, consequentemente, os conflitos. 

Em tempos de alto consumismo, sabemos que há uma corrente que estimula o reaproveitamento de objetos, numa atitude que estimula, inclusive, a sustentabilidade.

No entanto, o que é descrito aqui é uma acumulação patológica e que interfere nas atividades do dia a dia destas pessoas que preferem se isolar socialmente, muitas delas com sintomas de depressão.  

As causas para este comportamento são várias. Pode ser pela perda de um ente querido, alguma decepção amorosa, carência emocional, conflitos pessoais ou alguma dificuldade econômica que a pessoa tenha vivenciado.

O tratamento para superação da compulsão consiste em buscar a raiz da ansiedade e auxiliar o individuo a modificar seus padrões de pensamento através do autoconhecimento permitindo assim que ele readquira hábitos de vida saudáveis.

É um trabalho lento e que deve ter o apoio e conscientização da família, uma vez que, dentre outras coisas, é preciso orientá-la que fazer uma limpeza neste ambiente, com o objetivo de jogar fora estes objetos, deve ser realizada com muito cuidado e gradualmente já que pode desencadear no acumulador uma sensação de vazio, levando-os a recolher novamente e a querer acumular mais coisas.

G1